Cada novo semestre traz a oportunidade de reformular objetivos e fortalecer os projetos escolares. Além de organizar o calendário e retomar as atividades, é um bom momento para identificar quais pessoas ou organizações podem enriquecer o processo de aprendizagem, especialmente quando se trabalha com projetos STEM (Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática, da sigla em inglês). Quando diferentes pessoas e instituições somam conhecimentos, recursos e experiências, os projetos tornam-se mais sólidos e significativos para toda a comunidade educativa.
Um bom exemplo é o projeto “Cianobacterias“, onde a colaboração com parceiros foi fundamental. A equipe foi finalista do Solve for Tomorrow no Uruguai, em 2023, e criou um dispositivo simples para limpar praias infectadas em sua cidade. Para isso, tiveram o apoio de outros professores do colégio, e também da Escola Técnica de Reparos, Construções Navais e Anexos, que disponibilizou um medidor de pH para detectar as condições da água. Além disso, o departamento estadual responsável pelo abastecimento de água potável indicou os melhores locais para coletar a cianobactéria na cidade.
Muitas vezes, essa colaboração não consiste necessariamente em receber recursos ou infraestrutura, mas sim em compartilhar conhecimento. Essa experiência pode vir de outros professores da escola ou de profissionais do setor, seja de instituições colaboradoras; ou de conhecidos dos estudantes ou dos professores. No projeto “Mecanização da lavagem do café”, finalista da Solve for Tomorrow Peru, em 2023, um tio das alunas foi um importante parceiro e compartilhou seus conhecimentos como agricultor e engenheiro industrial, ajudando-as a conseguir fazer um protótipo que garantisse maior produtividade e segurança na lavagem de café.
Além disso, as equipes que desenvolvem projetos STEM podem buscar parceiros estratégicos que permitam trazer mais escala às suas iniciativas. “Há muito interesse, até mesmo muitos fundos que podem ajudar”, diz Juan Del Cerro, diretor da Socialab México e parceiro técnico do Solve for Tomorrow no país.
O especialista compartilha cinco recomendações para encontrar parceiros estratégicos e transformar uma boa ideia em um projeto de maior alcance.
1. Aproxime-se das comunidades que já trabalham em STEM
Encontrar parceiros não significa começar do zero. Hoje existe um ecossistema de organizações, empresas e profissionais que impulsionam a educação STEM e a inovação em toda a América Latina. Juan recomenda começar por seguir essas iniciativas em redes profissionais e participar ativamente de espaços de encontro. “Há muito movimento em torno de convocatórias, prêmios, eventos, fóruns de pessoas que estão trabalhando em temas de STEM. Uma vez que você começa a se conectar e a seguir organizações que estão trabalhando nesses temas, geralmente as plataformas de redes sociais começam a compartilhar mais informações com você”, aconselha.
Essa conexão, segundo Juan, pode ser tanto online quanto presencialmente, seja por meio de plataformas como o LinkedIn ou participando de congressos e feiras científicas e concursos. Tudo isso permite conhecer pessoas que podem se tornar futuras parceiras do projeto.
2. Descubra o que cada possível parceiro procura
Nem todas as instituições têm os mesmos objetivos. Alguns apoiam projetos relacionados ao meio ambiente; outros priorizam tecnologia, inteligência artificial, inclusão, empreendedorismo ou desenvolvimento social. Portanto, antes de apresentar uma proposta, vale a pena investigar quais são os interesses da organização e adaptar a forma como o projeto é comunicado. “Entenda bem o que estão procurando e adapte seu projeto ao que busca a organização”, resume Juan.
O especialista explica que, muitas vezes, não é necessário alterar a ideia, mas sim apresentar o projeto utilizando a linguagem e a abordagem que melhor se alinham às prioridades do possível parceiro. Além de pensar em como essa possível parceria pode ajudar o seu projeto, Juan aconselha que você reflita sobre o que o seu projeto pode oferecer ao parceiro.
Quando você busca gerar uma parceria, deve sempre pensar que devemos gerar relações de ganha-ganha e não uma relação em que apenas um se beneficie, enfatiza Juan Del Cerro.
3. Conte a história por trás do projeto
Uma boa solução técnica é importante, mas raramente é a única coisa que chama a atenção. O que motivou os alunos? Qual problema eles observaram na sua comunidade? Por que decidiram dedicar tempo para resolver essa questão? Para Juan, essa história pode fazer a diferença: “As pessoas se conectam com pessoas, não nos conectamos com projetos”, afirma.
Por isso, para construir uma proposta muito mais próxima e memorável ajuda convidar os alunos a contarem a origem do seu projeto e o impacto que esperam gerar. “Introduzir uma abordagem pessoal ao seu projeto, mesmo que seja o motivo pelo qual você quer resolver esse problema com o seu projeto, pode ser um grande diferencial aos olhos de uma instituição, de um prêmio ou de um avaliador, e isso pode te ajudar a se conectar”, explica Juan.
4. Aproveitar convocatórias como experiências de aprendizagem
“Eu recomendo que motivem seus alunos a participar de muitos concursos – e na maioria das vezes eles não vão ganhar. No entanto, essa exposição pode lhes abrir muitas portas no futuro”, compartilha Juan. Para ele, os concursos e programas educacionais oferecem muito mais do que a possibilidade de ganhar um prêmio. Também representam oportunidades para fortalecer habilidades de pesquisa, comunicação, criatividade e trabalho colaborativo.
Por isso, Juan convida os professores a integrar essas experiências dentro do processo pedagógico. “O professor tem o papel e a chance de ensinar com mais profundidade, e, além disso, participar do concurso torna-se uma experiência por si só”.
Isso significa dedicar tempo para investigar o problema, analisar casos de sucesso, desenvolver protótipos, praticar apresentações e refletir sobre o processo junto com os alunos. Mesmo quando uma equipe não é selecionada, o aprendizado continua.
5. Proteja o trabalho dos seus alunos
Antes de estabelecer qualquer parceria ou participar de uma convocatória, Juan recomenda revisar cuidadosamente as bases e as condições de participação, especialmente quando envolvem crianças e adolescentes. “É importante prestar atenção a aspectos como a propriedade intelectual, o uso de dados pessoais e a autorização para o uso de imagens”, diz.
As parcerias podem abrir portas para novas aprendizagens, contatos e oportunidades. Mas o seu maior valor surge quando são construídos com objetivos compartilhados e colocam no centro aquilo que realmente importa: oferecer experiências significativas para que os estudantes desenvolvam soluções capazes de transformar sua comunidade.