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Vencedor 2025
Colômbia
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#Sociedadejusta

CoffeeSmart 4.0: estudantes automatizam a secagem e torrefação do café com tecnologia

Combinando sensores eletrônicos, criatividade e empatia, o grupo desenvolveu um sistema que ajuda os produtores a fixar os preços do café de maneira justa.

Professor(a)

Foto de Alexis Rubiel Ardami Ortega
Alexis Rubiel Ardami Ortega

Escolas

Instituição Educativa Técnica Agroindustrial La Victoria

Nome do projeto

CoffeeSmart 4.0

Áreas STEM

Ciências, Tecnologia

Tablón de Gómez é uma região notoriamente cafeeira da Colômbia, país que produz um dos cafés de maior qualidade do mundo. No território montanhoso, gerações de famílias de agricultores cuidam dos arbustos que produzem a semente do café. É um processo artesanal de colheita, secagem e torra que traz vida, sabor e aroma a uma região muito afetada por conflitos civis.

Embora o café seja de extrema qualidade, feito pelas mãos de pessoas com conhecimentos centenários, os filhos desses agricultores notam que muitas vezes o saco de café é vendido por um preço muito mais baixo do que o de mercado. Os compradores justificam isso dizendo que não conseguem avaliar a quantidade exata de umidade ou se a torra foi feita de maneira adequada. Já os agricultores diziam que, mesmo que tivessem as ferramentas de medição, não era fácil usá-las e que não tinham tempo para acompanhá-las devido a tantas tarefas no cultivo.

A tecnologia e o desejo de apoiar o trabalho de sua comunidade foi o que motivou os estudantes da Instituição Educativa Técnica Agroindustrial La Victoria a criar o CoffeeSmart 4.0, vencedor do Solve for Tomorrow Colômbia em 2025. Os estudantes construíram um sistema inteligente com balanças, micro:bits (pequena placa de desenvolvimento de programação) e sensores que mostram aos agricultores os níveis ideais de secagem e torrefação das sementes, por meio de um aplicativo para o smartphone ou computador. 

“Constatamos que os agricultores logo tinham as ferramentas, mas por não saberem usá-las, muitas vezes perdem a qualidade do café”, explica o professor de robótica Alexis Rubiel Ardami Ortega. “Então, pensamos em como facilitar o acesso dos nossos pais a essas ferramentas, para ajudá-los a tornar o café mais rentável e receber um preço justo.”

A escola já tem uma forte ligação com o café, e muitas vezes os grãos são alvo de experiências de laboratório e de outros aprendizados baseados em STEM (sigla em inglês para Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática). Por participar de um programa do governo, ganharam cinco micro:bits, computadores pequenos e simples que oferecerão uma oportunidade aos estudantes e ao professor mediador de pensar em um projeto que une a tecnologia e o desejo da produção do café. 

Automatizando a secagem e a torrefação 

Embora sejam de famílias que trabalham com café, os jovens que estão nos diferentes graus do ensino médio (no quarto, quinto e sexto ano, com idades entre 15 e 18 anos) não sabiam muito sobre as especificidades da produção do café. Por sorte, seu campo de pesquisa é vizinho e os cafezais são praticamente laboratórios.

Iniciaram tanto uma pesquisa bibliográfica, para entender mais o que determina a qualidade ideal do café, quanto entrevistaram seus parentes, que lhes contaram sobre a dificuldade de fazer prova de que o café tem a secagem e torrefação – estes são os dois processos mais importantes do café – correta para os compradores. 

Isso se deve a uma mistura de fatores: os processos de cultivo são artesanais, e mesmo que o café seja bom, os agricultores não sabem necessariamente o grau correto de umidade ou de torrefação, confiando em seus sentidos e sabedorias para isso. A maioria dos agricultores tem as ferramentas para medir ambos os processos, mas relataram que não são práticos. 

Tomemos por exemplo a secagem de café: o que determina uma boa secagem é o peso do café quando está livre de uma certa quantidade de umidade. As ferramentas disponíveis para acompanhar um processo que dura 15 ou 20 dias sob o sol não são práticas nem compatíveis com as outras tarefas da cultura. 

Com as reclamações sistematizadas, o grupo entendeu que sua tarefa era simplificar o acesso e conhecimento dos dados de secagem e torrefação em um aplicativo, para que os agricultores conheçam cada etapa e possam cobrar por pagamentos justos. Para isso, os microbits, acoplados a sensores de peso e temperatura, poderiam oferecer informações muito simples aos dois processos. Começava então a etapa de automatização das ferramentas, criando assim um sistema. 

A balança com micro:bit e um sensor de peso é uma peça-chave para a etapa de secagem: “Colocamos nosso lote grande de café em um pátio e junto a ele colocamos nossa balança. Na balança se coloca uma amostra de 200 g (gramas) de café pergaminho. Vamos monitorar o peso, que estará na mesma condição do lote. À medida que o café perde umidade, ele vai perdendo peso. Quando essa amostra de 200 g chega a 104 ou 105 g, indica que o café está no ponto ótimo de umidade, de 10 a 12%, e esse valor influencia o preço final. Então, a ideia é que o aplicativo possa dizer na balança qual é a umidade correta para chegar até os compradores”, contou Ortega. 

A torrefação é um processo igualmente importante, e os alunos, que têm um laboratório sobre café na escola, já tinham um estudo prévio para entender a curva de torrefação, explica o professor: “Temos uma pequena torradeira onde as amostras são testadas na conhecida curva de tostado. Leva tempo para medir as temperaturas e observar a fase do café, em que estado ela está. Conectamos um micro:bit a um sensor para que registre a temperatura e adicionalmente o tempo, indicando-nos a fase de tostado.”

As informações da curva de torrefação são armazenadas em uma base de dados, que mostra as características organolépticas do café e garante que as próximas torrefações mantenham o padrão. 

A balança e o aplicativo ideal 

Um aplicativo conectado aos sensores foi o meio escolhido pelos estudantes para disponibilizar os parâmetros ideais do café. Eles tinham alguma experiência básica com programação, mas não o suficiente para criar um aplicativo. Ativaram então os conhecimentos do reitor da escola, que é engenheiro de sistemas, que os ajudou a desenvolver uma plataforma simples e que pode ser acionada de qualquer lugar da cultura.

Para completar o projeto, os alunos optaram por se inspirar no próprio design dos materiais utilizados pelos seus colegas agricultores: uma bandeja de grelha segura o café para a pesagem final. 

Afinando o projeto com produtores

O protótipo final, então, é feito com micro:bits, sensores de temperatura e de peso movidos a placas solares, a balança e também qualquer maquinário que o produtor de café utiliza para fazer a torrefação, como uma torradeira. Com o sistema pronto, era hora de testar seu produto com quem de fato pode dizer se funcionava ou não: os produtores de café. 

“Eles gostavam bastante, porque diziam que era muito prático. Explicamos-lhes sobre o aplicativo, que é algo fácil de manejar, pronto para baixar e às vezes se complica um pouco na hora de nos conectarmos por estar em zona rural, mas a eles tudo pareceu simples”, explica o professor. 

Muitas das pessoas que trabalham com café são de idade avançada, então eles pedem para que os instrumentos de leitura no aplicativo sejam modificados para ter letras maiores, e para que as informações não venham apenas em texto, mas também com gráficos que mostrassem a temperatura, a umidade e a curva de torrefacção, por exemplo. São pequenas modificações, mas que fazem muita diferença e fazem parte da Aprendizagem Baseado em Projetos (ou a sigla em inglês PBL). 

Mesmo com um protótipo rico e uma boa devolução, os alunos ainda tiveram que se preparar muito para fazer as etapas de apresentação da ideia para o programa Solve for Tomorrow. Ortega lembra que a mudança mais impressionante foi a qualidade investigativa do trabalho dos jovens. Eles tiveram que pesquisar muito sobre o café e esse processo, se viram como pesquisadores, como pessoas que dominam um assunto e sabem falar dele não apenas para os cafeicultores, mas também para especialistas e compradores. 

O futuro do sistema Coffee Smart 4.0 parece promissor. O protótipo tornou-se uma inovação social, um tesouro da comunidade escolar em conjunto com as culturas que fazem parte do território, e a ideia é que a escola possa dar continuidade ao projeto, tornando-o maior e alcançando outros municípios que trabalham com o mesmo produto. 

O futuro dos jovens também parece animador, como finaliza Ortega: “Os jovens se motivaram no que diz respeito às áreas STEM, olhei para elas muito motivadas nessa questão, gostam muito da tecnologia e inovam todos os dias. Se de repente alguém já estava interessado na medicina, já olha também para a engenharia, como algo que já pode conseguir no futuro, já olha para si mesmo como engenheiros, de programação e tudo isso. É muito bom ver esses jovens que a cada dia vão se motivando mais por essas áreas”.

Saiba mais sobre o projeto no seguinte vídeo:

Foco na prática!

Confira os passos para criar um sistema que ajude os agricultores a reconhecer o que um café de qualidade faz.

Empatia

O tema do café faz parte da vida escolar da Instituição Educativa Técnica Agroindustrial La Victoria: os alunos são filhos dos produtores do café, e os grãos fazem parte das experiências dos laboratórios da escola há muito tempo. Eles queriam entender como usar a tecnologia para melhorar a produção de uma mercadoria tão vital para a comunidade.  

Definição

Ouvindo as queixas dos produtores, os estudantes descobriram que os produtos eram vendidos por um preço injusto nas feiras e mercados. Os compradores alegaram que os cafés não atendiam aos critérios de qualidade de umidade e torrefação, e que as ferramentas disponibilizadas aos produtores não eram simples ou ajudavam com isso. Havia também um desconhecimento por parte dos agricultores de alguns parâmetros das importantes etapas de secagem e torrefação, o que influenciou os preços finais. 

Ideação

O professor e o grupo de estudantes felizmente ganharam cinco micro:bits, pequenos computadores de placa única úteis para programação. A ideia então foi criar um sistema, acoplando microbits, sensores de temperatura e peso às ferramentas dos produtores para criar um aplicativo que mostra os valores de secagem e torrefação de forma simples para os agricultores. 

Protótipo

O protótipo é composto por uma balança feita de madeira com uma cesta plástica, onde se colocou o café. Para o processo de secagem, que dura muitos dias no solo com a ajuda do sol, a balança com sensores de peso identifica a perda de umidade. No caso de torrefação, os sensores estão ligados a uma torradeira que o faz. Os dados gerados pelos sensores chegam diretamente ao aplicativo.

Teste

Ninguém melhor para fazer os testes do que os produtores! Eles comentaram como era fácil usar a aplicação e como a balança também combinava com a rotina de secagem. Mas vão pedir por mudanças importantes: que o aplicativo tenha mais imagens e gráficos, e que sua letra seja grande, porque muitos agricultores são mais velhos.

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