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Vencedor 2025
Argentina
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#Sociedadejusta

Uma mochila solar abriu novas possibilidades para estudantes da Argentina

Estudantes vivenciaram uma experiência STEM que fortaleceu o trabalho em equipe, ampliou seus horizontes e ofereceu aos professores um exemplo concreto de aprendizagem baseada em projetos com impacto real.

Professor(a)

Foto de María Alejandra Zerpa
María Alejandra Zerpa

Escolas

Escola Secundária Coronel Julio Sergio Jovanovics Usandivaras

Nome do projeto

SolarPack

Áreas STEM

Tecnologia

Outras áreas de conhecimento

Geografia, Sociologia

As ruas pelas quais você passa a caminho do trabalho ou da escola têm uma boa iluminação? Para um grupo de jovens de Campo Quijano, na província argentina de Salta, essa nem sempre era a realidade. Cansados de ir para a aula por um caminho escuro, eles decidiram desenvolver uma iniciativa para ter autonomia nesse sentido. Foi então que criaram o “SolarPack”, um protótipo de mochila equipada com um pequeno sistema de energia solar que oferece iluminação portátil.

O projeto foi desenvolvido com conhecimentos em STEM (Ciências, Tecnologia, Engenharia e Matemática) e venceu o Solve for Tomorrow na Argentina, em 2025. Projetado para estudantes e famílias com acesso limitado à eletricidade, a ideia surgiu da necessidade de ter um dispositivo funcional, resistente e prático para fornecer iluminação, sem ser mais um item a ser carregado no dia a dia. Por isso, acrescentaram uma nova função à mochila, que já utilizavam, e perceberam que não bastava apenas acender uma luz. O protótipo precisava se adaptar ao uso diário, resistir à chuva, proteger os circuitos internos e não sobrecarregar o estudante com peso excessivo. Além disso, precisava ser sustentável. Assim, os alunos trabalharam com um pequeno painel solar, uma bateria de lítio, fiação interna, um interruptor e uma lâmpada LED integrada. 

Embora pareça simples à primeira vista, a mochila foi redesenhada várias vezes para melhorar sua ergonomia. Os jovens testaram diferentes posições para a lâmpada e para o interruptor, avaliaram como distribuir o peso do painel solar e criaram compartimentos internos para proteger o circuito da chuva e do desgaste diário. Eles até analisaram o tamanho ideal do painel para evitar que a mochila ficasse pesada demais. Graças à escolha de painéis e cabos leves, o peso da mochila ficou semelhante ao de um modelo padrão, de modo que as mudanças passam despercebidas.

Para o futuro, os estudantes planejam adicionar mais elementos, como uma placa Arduino, que é uma placa de prototipagem eletrônica de código aberto, para monitorar a bateria da lâmpada. 

Iluminando caminhos para os estudantes

O “SolarPack” promoveu uma transformação menos visível, mas igualmente significativa. No início, muitos dos alunos não acreditavam que pudessem avançar nas etapas do Solve for Tomorrow. Eles duvidavam de suas possibilidades diante das escolas técnicas e, em alguns casos, também não imaginavam um futuro além dos empregos que conheciam em seu ambiente imediato.

À medida que superavam cada desafio do programa, essa percepção começava a mudar. Chegar à final, viajar de avião pela primeira vez e representar sua comunidade em Buenos Aires foram experiências que ampliaram seus horizontes de forma concreta. “Muitos alunos vêm de uma realidade socioeconômica mais difícil. Iam de casa para a escola ou para o futebol, nada mais. Essa oportunidade gerou novas expectativas, de portas que começaram a se abrir para eles”, comenta a educadora.

Alguns começaram a considerar cursos universitários ou técnicos que antes não pareciam possíveis. “Tem um aluno cujo pai trabalha na mina. Ele sempre me dizia que não iria estudar nada depois de terminar a escola e que iria trabalhar com o pai. E agora ele se matriculou em um curso universitário de Higiene e Segurança”, relata.

Para a professora, essa mudança é uma das principais conquistas do projeto. Mais do que construir uma mochila solar, seus estudantes descobriram que podiam imaginar outros caminhos para suas vidas.

O papel fundamental da professora mediadora 

Esta foi a segunda vez que a professora María Alejandra Zerpa participou do Solve for Tomorrow. Para ela, o que fez a diferença desta vez, para chegar ao pódio, foi poder acompanhar mais de perto os estudantes durante todo o processo. “Eu também faço essa autoavaliação e tive que deixá-los um pouco mais por conta própria, e acho que isso dificultou as coisas para eles. Além disso, eram alunos de turmas diferentes e tiveram dificuldades para chegar a um acordo”, analisa.

No ano seguinte, ela decidiu mudar de estratégia e deu aos alunos a liberdade de escolherem seus próprios grupos. A temática dos projetos continuou sendo definida pelos estudantes, mas ela recomendou que pensassem cuidadosamente com quem iriam trabalhar. Essa mudança permitiu que ela observasse diferenças importantes no nível de comprometimento e na relação dos grupos com o acompanhamento docente. A equipe vencedora buscava constantemente sua orientação. “Eles me diziam: ‘Professora, vem aqui ver’, me consultavam mais”, conta ela. Para ela, essa disposição para o diálogo e o feedback fortaleceram o desenvolvimento do projeto.

A partir dessas experiências, a professora conclui que o acompanhamento próximo do professor é um fator decisivo para o sucesso das iniciativas. “Acho que essa foi a parte fundamental: que eles não se sintam sozinhos, que estejam acompanhados desde o primeiro dia”, destaca. Mesmo em momentos de cansaço, ela procurou manter os alunos motivados, incentivando-os a não desistir e incorporando atividades lúdicas ao processo de aprendizagem. “Eu tentava ter sempre um sorriso no rosto, dizer a eles: ‘Dá sim, pessoal, não desistam’”, lembra. Por meio de diferentes estratégias pedagógicas, ela reforçou uma convicção construída ao longo de sua trajetória: “A comunicação é fundamental”.

No Solve for Tomorrow, utiliza-se o conceito de professor(a) mediador(a). Em vez de ser um instrutor que apenas apresenta conteúdos, o professor aproveita os momentos de instrução e amplia suas ferramentas para atividades em grupo, incentivando a pesquisa e a sistematização do conhecimento, gerando a mobilização de oportunidades educacionais complementares na escola, na comunidade e em diversas metodologias ativas de aprendizagem.

Saiba mais sobre o projeto no vídeo a seguir:

Foco na prática!

Confira o guia da professora sobre como desenvolver uma mochila solar inteligente.

Empatia

A equipe identificou o problema em sua própria rotina: os alunos se deslocavam para a escola por caminhos mal iluminados. A partir dessa necessidade, eles analisaram o impacto na mobilidade cotidiana e propuseram uma solução que não exigisse carregar um objeto adicional, mas sim incorporar iluminação portátil em uma mochila de uso diário.

Definição

Os estudantes definiram o projeto como uma mochila com sistema de energia solar destinada a alunos e famílias com acesso limitado à eletricidade. Eles estabeleceram que o protótipo deveria acender uma lâmpada LED, resistir ao uso diário, proteger os circuitos internos contra a chuva e manter um peso adequado para o transporte.

Ideação

O grupo decidiu usar um pequeno painel solar, uma bateria de lítio, fiação interna, um interruptor e uma lâmpada LED integrada. Também avaliou a localização da luz, a distribuição do peso e o tamanho do painel para evitar que a mochila se tornasse incômoda. Essas decisões atenderam a critérios de funcionalidade, resistência e adaptação ao uso escolar.

Protótipo

Durante a construção do “SolarPack”, a equipe enfrentou falhas na ativação e problemas na fiação. Para resolvê-los, revisou as conexões, realizou ajustes sucessivos, consultou professores e repetiu testes práticos até estabilizar o sistema. Além disso, redesenhou os compartimentos internos para proteger o circuito do desgaste e da chuva.

Teste

Os testes permitiram comprovar que a mochila era capaz de acender uma luz com a energia acumulada durante o dia. Com base nos resultados, a equipe ajustou a ergonomia, a localização do interruptor e a proteção interna do sistema. O projeto foi vencedor do Solve for Tomorrow na Argentina em 2025, e a experiência contribuiu para que alguns alunos considerassem novas opções de formação técnica ou universitária.

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